A segregação do capital e os impactos na mobilidade urbana de Guarulhos

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trânsito guarulhos

Estamos à beira de presenciar uma segregação imposta pelo capital que se apropria do bem público, privatizando-o em detrimento da população. Um exemplo claro disso é o novo modelo de concessão aplicado a um trecho estratégico de uma rodovia federal que corta a cidade de Guarulhos.

Essa rodovia, que ao longo das décadas foi transformada em uma grande avenida urbana devido à falta de investimentos em mobilidade, desempenha um papel crucial na ligação entre o extremo da cidade e o centro. Entretanto, a recente concessão prevê que o uso das vias expressas, antes gratuitas, agora será tarifado, restringindo seu acesso apenas a quem pode pagar.

Os efeitos dessa medida já são previsíveis. As vias locais, que já enfrentam uma demanda acima de sua capacidade, não terão condições de suportar o aumento do tráfego gerado pela restrição da via expressa. Além disso, o desvio de veículos para os bairros que margeiam a rodovia deve provocar um caos no trânsito local e acelerar a deterioração da malha urbana de Guarulhos, que já enfrenta grandes desafios.

O mais alarmante é o silêncio dos poderes legislativo e executivo, tanto em nível municipal quanto estadual. Não há qualquer fiscalização ou oposição consistente a essa medida truculenta que lesa o bolso do cidadão, ignora as necessidades da população e reforça a lógica de privatização de patrimônios públicos construídos pelo Estado ao longo dos anos.

A entrega de um bem público ao capital privado, sem considerar o impacto social, é mais uma demonstração de que o objetivo da desestatização não é eficiência ou melhoria, mas sim transferir recursos e direitos da população para setores elitistas do mercado.

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