Sincoverg

Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários no Transporte de Passageiros, Urbano, Suburbano, Metropolitano, Intermunicipal e Cargas Próprias de Guarulhos e Arujá em São Paulo

Guarulhos, 17 de Novembro de 2018

Por condutores

Campanha salarial combativa garantiu vitória a motoristas de Guarulhos

Mesmo com forte pressão da classe patronal e da mídia, Sincoverg derrota empresários do transporte público e mantém acordo coletivo que garantiu reajuste de salário e benefícios

O mês de junho foi um importante marco de lutas na história do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários no Transporte de Passageiros, Urbano, Suburbano, Metropolitano, Intermunicipal e Cargas Próprias de Guarulhos e Arujá em São Paulo (Sincoverg).

Mesmo com a vigência da nefasta legislação trabalhista, que exterminou  direitos trabalhistas conquistados ao longo de décadas, a categoria conseguiu manter as cláusulas da Convenção Coletiva que garantem benefícios aos trabalhadores e trabalhadoras, além de um reajuste de 3% para toda categoria, mais 3% para os motoristas dos articulados e para quem tem dupla função – é motorista e cobrador -; 4,55% nos ticket refeição (R$ 23,00 por dia); ticket de R$ 299 nas férias; e aumento de 30% na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que este ano será de R$ 1.300,00.

Além disso, a direção do Sincoverg, sindicato filiado a CUT, conseguiu manter o prêmio por plano de serviço, o plano de saúde e o odontológico familiar que os empresários queriam tirar da Convenção usando como argumento artigos da nova lei trabalhista.

O presidente licenciado do Sincoverg, Orlando Maurício Jr, o Brinquinho, disse por meio de nota que durante a campanha salarial, os patrões queriam, a qualquer custo, adequar a categoria com as novas leis vigentes, retirando diversos benefícios como, por exemplo, a Cesta Básica Gratuita e o Plano Médico Familiar.

“Foi uma negociação muito difícil, fomos pressionados pelo governo e pelos empresários que, em diversos momentos, nos ameaçaram com possíveis multas por conta das nossas assembleias”, escreveu o dirigente.

“Essa vitória é a prova de que a mobilização da classe trabalhadora ainda é a principal arma contra os efeitos da reforma Trabalhista do golpista Temer”, complementa o secretário-Geral do Sincoverg, Wagner Menezes, o Marrom, que se emociona ao lembrar da participação massiva de motoristas e cobradores nas assembleias.

Segundo Brinquinho, o Sincoverg superou muitas campanhas salariais no estado de São Paulo e o mérito é da categoria, que se uniu, mostrou coragem e ousadia.

“Realizamos assembleias com mais de 3 mil trabalhadores, lutando pelos seus direitos e dizendo não para a reforma Trabalhista”.

Mulheres

As trabalhadoras da categoria tiveram uma dupla vitória: além de se beneficiar com os reajustes, conseguirem aumentar a participação feminina em todos os cargos da categoria para 15%.

Agora o Sincoverg vai fiscalizar se as empresas estão cumprindo com o que determina a Convenção Coletiva de Trabalho. Segundo a entidade, não são poucos os casos em que as mulheres são arrimo de família e o sindicato tem trabalhado muito para que essas mulheres não percam seus empregos.

Sindicato Forte

Em recente reportagem o Portal CUT entrevistou o procurador João Hilário Valentim, coordenador Nacional de Promoção da Liberdade Sindical (Conalis), do Ministério Público do Trabalho (MPT), que falou sobre a importância de um sindicato forte, que conta com a participação ativa dos trabalhadores, para manutenção dos direitos, como foi o caso de motoritas e cobradores.

“Quem faz o sindicato é o trabalhador. Então há uma lógica midiática que trabalha na separação entre sindicato e trabalhadores que é falsa. É preciso trabalhar para quebrar essa coisa de que sindicato é uma coisa e trabalhador é outra”, comentou o procurador.

Acordo Coletivo

Em outra reportagem, o Portal CUT falou da importância dos acordos coletivos após a aprovação da legislação trabalhista – Lei 13.467/2017, em vigor desde novembro do ano passado.

Segundo a matéria, os sindicatos devem colocar na pauta das negociações a inclusão dos acordos coletivos para que trabalhadores e trabalhadoras tenham asseguradas algumas das garantias que foram extintas pelo legislativo brasileiro.

FONTE: CUT